Tratamentos

Infertilidade (Cromotubagem)

Depois de cinco anos da divulgação, através da internet, do método de Hidrotubação para tratamento de trompas obstruídas, o número de casos tratados  aumentou muito, e com esse volume começaram a surgir evidências que hoje são temas de estudos científicos.

Interior da trompa, obstruída por aderência frouxa, e sem cílios (sequela)

A obstrução é uma sequela, e se trata através da Hidrotubação. A paciente pode ser portadora do agente causador, ainda agindo de forma a agravar o caso.

Esse mesmo germe pode causar:

–   o aborto no primeiro trimestre
–   a gravidez na trompa
–   destruição dos cílios, podendo obstruir

Seu diagnóstico não é difícil, desde que seja usado o exame correto. O tratamento se dá ao casal, via oral, por 21 dias.

Muitos médicos esquecem do que esta acontecendo no mundo microscópico nos casos de obstrução da trompa. Ainda olham com uma visão macroscópica da coisa, isto é, “um tubo entupido”, e passam a tratar o problema com esta visão, resultando em dois caminhos errôneos.

Um deles é tratar a trompa como uma estrutura tubular “entupida”, tentando desentupir mecanicamente com pressão e líquido, geralmente através da cromotubagem, durante uma videolaparoscopia. Se temos a certeza que a obstrução é uma sequela, e o seu agente causador ainda pode estar ali microscopicamente agindo, esta cromotubagem pode estar disseminando ainda mais a infecção, e piorando a situação.

O outro caminho errôneo da visão macroscópica se apresenta nos casos de uma única trompa obstruída com a outra aberta, dizer que esta outra trompa, aberta, está sadia, e por ela se pode engravidar. Se houve sequela obstrutiva em uma das trompas, por que pensar que a outra, microscopicamente, não foi afetada também? Não seria o mais lógico?

O que vem dificultando a conduta de muitos médicos, e consequentemente deixando de tratar da melhor maneira  milhares de pacientes, são dois fatores graves: a raríssima oferta de laboratórios capacitados a realizar a espermocultura pelo método moderno de PCR, e  os pouquíssimos serviços de radiologia utilizando chapas em tamanho real (as pequenas e digitais deixam MUITO a desejar) dotados de profissionais com experiência em avaliar imagens tubárias sutis, sinais de infecção da mucosa tubária.

Se acreditarmos nas espermoculturas que estão sendo feitas por aí, e se já viram alguma dar positivo por favor tragam e me mostrem, não sairemos da escuridão.

A OMS já preconiza espermocultura por PCR desde 2006!

Por tudo isso tenho duas dúvidas:

–       1) ao abordar trompa obstruída direto com videolaparoscpia e cromotubagem, não podemos estar disseminando uma infecção?

–       2) as fertilizações in vitro que terminam em insucesso, e foram feitas baseadas em espermocultura “a moda antiga”, não podem ter dado errado pelo esperma estar contaminado por germe?

Por isto sigo a conduta:

1º) TROMPA OBSTRUIDA = HIDROTUBAÇÅO + ESPERMOCULTURA POR PCR, com vistas para clamídias, neisserias, ureaplasmas, mycoplasmas, e trichomonas

2º)  VIDEOLAPAROSCOPIA PÓS-HIDROTUBAÇÅO, para os casos que opacificam toda a trompa pós-tratamento, mas terminam com imagem em “dedo de luva”, sinal de obstrução das fímbrias, ou, FIMOSE TUBARIA.